06 Set BLOGME TENDAL DCLXVIII: Despeiteado
(Fura, fura, de José Afonso)
Estendal ao vento, despeiteado. E sempre penso: se voaram as roupas por fim!
Se fosse gente, este estendal sairia ao mundo a mexelo, provocá-lo, escandalizar a medoñas, acirrar a afoutos, e rir e dançar com desconhecidos.
Mas as roupas estão amarradas a cordas que estão amarradas a suportes que estão amarradas a paredes que estão fincadas na terra e “o chão como é no duro, de tudo tem mão”.
Então lembro às galinhas:
“que é pena, que é lástima
que um ave de penas
nao possa voar”
(Fura, fura, de José Afonso)
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