BLOGME TENDAL CCXXXVII: Estendal senil

07 Ago BLOGME TENDAL CCXXXVII: Estendal senil

Uma calça da roupa de durmir, uma cuequinha, um lenço… Essa senhora maior vai-se fazendo velha, os esfínteres e as lembranças relaxam e fazem-se presentes quando querem eles não a pessoa que compõem.
Cada muda de roupa é uma franze mais na consciência, é um saber que és velha. Sem dúvida. Sem volta. A consciência, que é muito espertinha, pode negar a evidência, mas a muda da roupa nega e nega a armadilha.
Durmíu. E acordou, no acordar normal ou no meio da noite com o acordar precipitado pela humidade quente sentida de repente. E asear-se com o lenço e lavar-se e lavar a roupa de contado para que o fedor a mexo não delate a evidência de que se vai fazendo velha. Sem dúvida. Sem volta.
As plantas, sempre verdes, sempre novas, são a prova de que essas mãos cuidaram muito dos demáis, e de sim, o que puderam

 

 

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