BLOGME TENDAL CCXXXIV: Envelhecida

17 Jul BLOGME TENDAL CCXXXIV: Envelhecida

Mais parece que a torturaram não que a estenderam; que a torceram não que a lavaram. E eis está: debruzada na corda; mas debruçada cara atrás. Se esta camisola fosse gente estaria com a cabeça colgando cara atrás, nessa postura tão incómoda que só se suporta quando se está derreado ou se está relado, destroçado.
E pelo pescoço vê-se-lhe que esta camisola foi vestida muitas vezes, vê-se-lhe que quem a põe usa-a muito. E como a desvestirá? Quer tirando pelos baixos, quer tirando pelo próprio pescoço da camisola, vê-se-lhe que o faz com desleixo, sem importar que, aos poucos, o pescoço vá dando de sim. Cedendo, perdendo corpo, perdendo encanto, perdendo jeito, perdendo alegria. Como essa gente que envelhece, não pela idade, senão pelo mal que a vida, a gente, a tratamos

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